Biologia
do Câncer.
1.
A biologia do câncer.
Temos como indiscutível as
implicações genéticas no câncer. Sabemos que os genes que estão implicados na
carcinogênese estão divididos em duas grandes categorias: genes supressores de
tumores (GST) e oncogenes. Os GST atuam como freios de células, ou seja,
codificam proteínas que restringem o crescimento de células e as previne de se
tornarem malignas. Pesquisas realizadas recentemente mostraram que portadores
de alguns tipos de câncer tinham células com cromossomos deletados nas regiões
desses genes, e dessa forma os GST não eram ativos. Os oncogenes codificam
proteínas que promovem a perda do controle de crescimento das células, fato que
pode torna-la maligna. Assim, os oncogenes atuam como aceleradores da
proliferação celular e da tumorigenesis. A existência dos oncogenes se deu
devido às investigações de RNA viral capazes de causarem tumores. Demonstrou-se
que esses vírus transformam células normais em células tumorais, pois carregam
um gene que codifica uma proteína que interfere nas atividades normais da
célula. Durante as pesquisas realizadas que culminaram com a descoberta dos
oncogenes, observou-se que as células tinham também uma variedade de genes que
as protegiam contra a “liberação” dos oncogenes, e denominados por
proto-oncogenes. Apesar dos proto-oncogenes codificarem proteínas com várias
atividades funcionais que atuam na fisiologia normal das células, eles podem
ser ativados por vários mecanismos biológicos no sentido de se converterem em
oncogenes. Essas “ativações” podem decorrer de mutações que alteram as
propriedades e as expressões dos proto-oncogenes, bem como por quebra
cromossômica. Assim, qualquer uma dessas alterações genéticas pode levar uma
célula a ter o seu controle de crescimento afetado, tornando-a maligna. No
esquema 1 e 2 se apresenta alguns genes
supressores de tumores (GST) e proto-oncogenes como causadores de câncer. As
informações sobre o comportamento das células cancerosas se baseiam em
pesquisas de crescimento celular “in vitro”, usando meios de cultura
apropriados. Há grandes diferenças entre os crescimentos de células normais e
células tumorais. As células normais crescem e se espalham dispostas numa
simples camada de células. As células tumorais crescem desordenadamente em
agrupamentos. É, portanto, na disposição do crescimento celular que se
fundamenta a principal diferença entre as células normais e cancerosas. Por
outro lado, a capacidade de crescimento e divisão entre essas células não é
muito diferente. Apesar disso, é importante considerar que ao contrário das células
normais, as células malignas não respondem aos sinais de regulação para cessar
o crescimento e a divisão celular e, assim, se acumulam e transformam-se em
tumores.
Esquema 1 - Genes supressores de
tumores GST relacionados como causas de câncer e síndromes herdadas.
.
Esquema 2 - Relação entre
proto-oncogene, tipo de lesão e tipo de câncer.

Recomendamos aos estudiosos da
Oncobiologia que analisem os artigos e pesquisas dos cientistas PALESTRANTES
que participaram dos Seminários, e são considerados renomados pesquisadores da
área de Oncobiologia.
DRA. CAROLINA PANIS. Estadual
do Oeste do Paraná (Unioeste). “Exposição ocupacional e ambiental aos
agrotóxicos e câncer de mama: mecanismos moleculares e implicações clínicas” Dra
Carolina Panis é professora e pesquisadora da Universidade Estadual do Oeste do
Paraná (Unioeste), onde coordena o Laboratório de Biologia de Tumores. Tem
experiência na área de Oncologia humana, Imunopatologia e Biologia de Tumores,
com ênfase no entendimento dos mecanismos de agressividade clínicos e
moleculares desencadeados pela exposição humana aos agrotóxicos. É Pesquisadora
Visitante no Departamento de Saúde Ambiental da Escola de Saúde Pública de
Harvard nos Estados Unidos e também no Departamento de Farmacologia e Toxicologia
da Universidade do Arizona.
DRA. DIPALI SHARMA. Johns
Hopkins University School of Medicine, EUA - "Understanding the
mechanistic links between microbiota and cancer" - A professora Dipali
Sharma lidera um grupo de pesquisa na Sidney Kimmel Comprehensive Cancer Center
ligada a Johns Hopkins University em Baltimore – EUA. A sua linha de pesquisa
tem como objetivo elucidar os mecanismos moleculares que promovem o câncer de
mama, bem como estratégias preventivas e de tratamento usando modelos animais e
amostras humanas. A Dra Sharma tem interesse sobre a conexão entre o câncer de
mama e obesidade, disparidades raciais e disfunções da microbiota. Seus
trabalhos mostram que estes três fatores impactam diretamente na incidência do
câncer de mama de fenótipo agressivo e na progressão da doença em pacientes.
DR. ELIAS EL-HABR. Institut
de Biologie Paris Seinne Sorbonne Universités, França - “Metabolic
vulnerabilities of cancer cells in glioblastoma” - Dr. Elias El-Habr is an
associate professor at Sorbonne University and member of the Glia Plasticity
and Neuro-oncology team (IBPS - Neurosciences Paris-Seine). He has been working
on brain tumors since the beginning of his scientific career. He realized his
PhD at the Medical - school of Athens where he explored the molecular
alterations leading to the deregulation of signal transduction pathways and
their clinical impact in brain tumors. During his post-doc in Paris he lead a
project aimed at understanding the role of metabolism in malignant gliomas. His
research revealed new mechanisms by which metabolism affects the behavior of
glioma cells through the control of epigenetic regulations. His current project
combines computational and experimental approaches for a systemic exploration
of metabolism and its related vulnerabilities in glioma cells.
DRA. MARIANGELA RUSSO. Universitá
degli Studi di Torino, Itália. "Adaptive mutability favors the evolution
of secondary resistance in cancers". A Dra. Mariangela Russo iniciou a sua
carreira científica na Oncobiologia quando realizou o seu Mestrado em “Farmácia
e Farmacologia do Câncer”, estudando o desenvolvimento e progressão tumoral,
bem como as bases genéticas da resposta ao tratamento anticâncer.
Posteriormente, obteve o seu título de Doutorado em “Sistemas Complexos nas Ciências
da Vida” na empresa de Biotecnologia Horizon Discovery in Cambridge (UK), onde
utilizou da engenharia celular e o do screening farmacológico de alto
rendimento para caracterizar mutações oncogênicas e seu papel na resposta ao
tratamento. No seu pós-doutorado, trabalhou na caracterização de biomarcadores
de sensibilidade e resistência ao tratamento, visando identificar novas
abordagens para burlar a resistência terapêutica. Nesse cenário, a Dra Mariângela Russo fez descobertas seminais de
mecanismos de resistência primária e secundária a terapias-alvo no câncer
colorretal, descrevendo como a evolução tumoral afeta diretamente a resposta a
terapias. Atualmente, ela é Professora Assistente no Departamento de Oncologia
Molecular da Universidade de Turin, onde continua contribuindo para o campo da
resistência terapêutica no câncer.
DR NEIL HAYES. University of
Tennessee, EUA. "Molecular subtypes of squamous cancer". Neil Hayes é
graduado pelo Davidson College com bacharelado em química. Ele completou sua
graduação em medicina na University of North Carolina, Chapel Hill e, em
seguida, um mestrado em saúde pública na Harvard Chan School of Public Health.
Sua residência foi no Boston City Hospital no programa da Escola de Medicina da
Universidade de Boston e, em seguida, estágio em Hematologia/Oncologia na Tufts
New England School of Medicine, onde também concluiu o mestrado em Pesquisa
Clínica. Em paralelo, ele completou o treinamento de pós-doutorado no laboratório
do Dr. Matthew Meyerson no Dana Farber Cancer Institute. Após a conclusão do
treinamento clínico, ele assumiu um cargo de professor na University of North
Carolina, Chapel Hill School of Medicine, onde atendeu pacientes com tumores “aerodigestivos”.
Na UNC, Hayes foi professor na Divisão de Hematologia/Oncologia e no
Departamento de Otorrinolaringologia/Cirurgia de Câncer de Cabeça e Pescoço e
Diretor de Bioinformática Clínica. Ele foi o investigador principal do projeto
The Cancer Genome Atlas, focado na caracterização do espectro de cânceres
humanos. Tem se dedicado ao estudo translacional da genômica do câncer. Durante
seu mandato na UNC, ele se tornou uma pessoa-chave para inúmeras bolsas em seu
campo de estudo e tem mais de 150 publicações revisadas por pares com mais de
80.000 citações em 2021. Desde 2017, é o Diretor do Centro de Ciências da Saúde
da Universidade do Tennessee para Pesquisa do Câncer e também atua como chefe
de Hematologia/Oncologia no Departamento de Medicina.
DR. ROGER CHAMMAS. Universidade
de São Paulo, Brasil. "Apoptosis-induced proliferation and tumor cell
resistance to treatment: mechanisms and opportunities for innovation" O
Dr. Roger Chammas é médico (USP) e doutor em Ciências (Bioquímica-USP e
Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer), com pós-doutorado em
glicobiologia na University of California, San Diego. Foi pesquisador visitante
no Friedrich Miescher Institut, Basel; Harvard School of Public Health, Boston;
e Moffitt Cancer Research Center, Tampa. É docente da Faculdade de Medicina da
USP e professor titular de Oncologia (área: oncologia básica) na Universidade
de São Paulo, coordenando o Centro de Investigação Translacional em Oncologia
do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, entidade vinculada à USP. Atua também
como professor adjunto do Departamento de Química da Universidade da Carolina
do Norte, Charlotte. Entre as distinções recebidas, destacam-se o Prêmio
Fundação Rockfeller (USP) e ICRETT award e Yamagiwa-Yoshida award da União
Internacional de Controle do Câncer (UICC), do qual é membro permanente. É
membro ainda da American Association for Cancer Research, da Sociedade
Brasileira de Biologia Celular e da Academia Brasileira de Ciências. Sua área
de interesse é Biologia do Câncer (Bioquímica e Biologia Celular do Câncer),
atuando na área de progressão tumoral, marcadores de progressão
carboidrato-dependentes e caracterização de microambientes tumorais, como alvo
para terapia combinada e diagnóstico molecular por imagem em cânceres.
DR. SALOMÉ PINHO. i3S,
Universidade do Porto, Portugal. "Glycans at the interface of inflammation
and cancer: mechanisms and clinical implications"
Salomé
Pinho é médica veterinária formada pela Universidade do Porto. Desenvolveu seu
projeto de doutorado no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da
Universidade do Porto (IPATIMUP) e na Boston Medical School. Fez pós-doutorado
no IPATIMUP na área da glicobiologia do câncer. Atualmente é pesquisadora do
Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) e Professora Associada da
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. A sua atividade de pesquisa é
focada na compreensão do papel das modificações pós-traducionais por
glicosilação na regulação das funções de proteínas-chave envolvidas no câncer e
em condições inflamatórias crônicas, vislumbrando potenciais aplicações
clínicas. Ela é autora de várias publicações em revistas internacionais
revisadas por pares, incluindo Nature Reviews Cancer, Oncogene e Cancer
Immunology Research. Coordena uma equipe de investigação composta por pós-docs,
doutorandos, mestrandos e jovens investigadores. É investigadora principal de
vários projetos internacionais na área do câncer e doenças inflamatórias.
Recebeu o Young Investigator Award da European Association for Cancer Research.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.
Pui CH, Behm FG, Christ WM: Clinical
and biologic relevance of immunologia marker Studies in childhood acute
lymphoblastic leukemia. Blood 82:323, 1993.
Karp G: Cell and Molecular Biology,
2nd ed., John Wiley & Sons, Inc. New York, 1999.Sandenberg A: The
chromosomes in human leukemia. Semin Hemat 23: 301, 1996.Stiene-Martin EA,
Steininger CAL, Koepke JÁ: Clinical Hematology, 2nd ed, Lippincott, New York,
1998
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